ENTENDA A CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DE CRÉDITO – RATINGS

Em síntese, a função das agências de risco no mercado de crédito é fornecer dados, informações e análises independentes aos investidores. E sintetizam isso em forma de notas de crédito, também conhecidas como ratings.

Basicamente, os ratings são utilizados de duas maneias no mercado de renda fixa:

  • Pelos investidores, para conhecer a visão das agências de risco sobre o perfil de crédito das instituições que emitem os títulos de dívida em que investem; e
  • Pelo mercado, para precificar ativos de crédito.

Os ratings podem ser vistos como opiniões das agências de risco sobre o risco de crédito de uma determinada instituição – empresa, estado, país, etc. – ou de um título de dívida – CDB, LC, títulos públicos, etc.

E, como toda opinião, não é indicado que os ratings sejam utilizados como única fonte de informação ou análise. Mas sim, como uma informação complementar.

Outrossim, devem ser vistos como dados bastante valiosos. E não apenas porque são emitidos por agências independentes. Mas, principalmente, porque as agências de risco que os emitem dispõem de informações privilegiadas em relação ao mercado em geral.

Isso dá aos investidores bastante confiança quanto à precisão dos ratings, o que contribui para aumentar a eficiência do mercado. Reduz também a assimetria de informações entre investidores e empresas emissoras de títulos, o que permite que empresas ainda desconhecidas tenham acesso facilitado ao mercado de renda fixa.

 

AS PRINCIPAIS AGÊNCIAS DE RISCO E OS RATINGS GLOBAIS

ENTENDA A CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DE CRÉDITO - RATINGS

As três principais agências de risco do mundo, também conhecidas como agências de notas de crédito, e agências de rating são:

Cada uma dessas agências adota um mapeamento, uma escala própria de ratings. São os ratings globais:

S&P FITCH MOODY’S GRAU
AAA AAA Aaa Investimento Elevado
AA+ AA+ Aa1 Investimento Elevado
AA AA Aa2 Investimento Elevado
AA- AA- Aa3 Investimento Elevado
A+ A+ A1 Investimento Médio/Elevado
A A A2 Investimento Médio/Elevado
A- A- A3 Investimento Médio/Elevado
BBB+ BBB+ Baa1 Investimento Médio/Baixo
BBB BBB Baa2 Investimento Médio/Baixo
BBB- BBB- Baa3 Investimento Médio/Baixo
BB+ BB+ Ba1 Especulativo
BB BB Ba2 Especulativo
BB- BB- Ba3 Especulativo
B+ B+ B1 Altamente Especulativo
B B B2 Altamente Especulativo
B- B- B3 Altamente Especulativo
CCC+ CCC+ Caa1 Risco Substancial
CCC CCC Caa2 Extretamente Especulativo
CCC- CCC- Caa3 Moratória c chances de recuperação
CC CC Ca Moratória c chances de recuperação
C C Ca Moratória c chances de recuperação
R DDD C Moratória
SD DD C Moratória
D D C Moratória

As agências Fitch Ratings e S&P mapeiam suas notas de forma bastante similar. Classificam as instituições e seus títulos com notas que variam de AAA (mais alta) à D (mais baixa).

Já a agência Fitch utiliza notas que variam de Aaa (mais alta) à C (mais baixa).

Note que, em todas as três principais agências de risco, as instituições e títulos com ratings entre os dez melhores possíveis, são considerados com grau de investimento (em verde). Os demais são considerados com grau especulativo (em vermelho).

 

OS RATINGS NACIONAIS

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Quando elaborados por agências internacionais, os ratings não são atribuídos às empresas e seus títulos de dívidas apenas na escala global. São classificados também na escala nacional brasileira.

Ratings, na escala global, são comparáveis internacionalmente. Isto é, uma empresa brasileira com rating global BB+ tem o seu risco de crédito comparável com empresas americanas, japonesas ou inglesas, com o mesmo rating BB+.

Todavia, o ambiente menos favorável para negócios e o rating soberano do Brasil são limitadores para os ratings das empresas brasileiras.  Por risco soberano, entenda o rating do Brasil. E, em 2015, as principais agências de risco do mundo retiraram o grau de investimento do país.

Assim, o grau especulativo brasileiro somado ao ambiente de negócios, proporcionam às empresas brasileiras uma desvantagem em relação a empresas similares situadas em países mais desenvolvidos. Por isso, as agências de risco locais tendem a atribuir ratings na escala nacional por conta dessa limitação.

Desta forma, as principais agências de risco do mundo introduziram os ratings na escala nacional brasileira. Para tanto, eliminaram os fatores limitantes do rating global. Isso porque partem do princípio de que todas as empresas brasileiras desempenham suas atividades num mesmo ambiente de negócios. Atuam sob um mesmo risco soberano.

Assim, os ratings, na escala nacional, servem apenas para comparar as empresas brasileiras entre si. Definem o ranqueamento relativo da qualidade de crédito entre elas.

Portanto, os ratings na escala nacional derivam de um simples mapeamento partindo do rating global.

Vejamos os ratings nacionais das três principais agencias de risco:

RATINGS S&P – STANDARD AND POOR’S

GLOBAIS NACIONAIS

GRAU (RATINGS GLOBAIS)

AAA

brAAA Investimento Elevado

AA+

brAAA Investimento Elevado

AA

brAAA Investimento Elevado

AA-

brAAA Investimento Elevado

A+

brAAA

Investimento Médio/Elevado

A brAAA

Investimento Médio/Elevado

A- brAAA

Investimento Médio/Elevado

BBB+ brAAA

Investimento Médio/Baixo

BBB brAAA

Investimento Médio/Baixo

BBB-

brAA+ Investimento Médio/Baixo
BB+ brAA+ a brAA

Especulativo

BB

brAA+ a brAA- Especulativo
BB- brAA+ a brAA-

Especulativo

B+

brBBB+ a brBBB- Altamente Especulativo
B brBBB- a brBB-

Altamente Especulativo

B-

brB+ a brB- Altamente Especulativo
CCC+ brCCC+

Risco Substancial

CCC

brCCC Extretamente Especulativo
CCC- brCCC-

Moratória c chances de recuperação

CC

brCC Moratória c chances de recuperação
C brC

Moratória c chances de recuperação

R

R Moratória
SD SD

Moratória

D

D Moratória

RATINGS FITCH

 
GLOBAIS NACIONAIS

GRAU (RATINGS GLOBAIS)

BBB-

AAA (bra) Investimento Médio/Baixo
BB+ AA+ (bra)

Especulativo

BB

AA+ a AA- (bra) Especulativo
BB- A+ a A (bra)

Especulativo

B+

A- (bra) Altamente Especulativo
B BBB- a BB+ (bra)

Altamente Especulativo

B-

BB- (bra) Altamente Especulativo
CCC CCC (bra)

Extretamente Especulativo

CC

CC (bra) Moratória c chances de recuperação
C C (bra)

Moratória c chances de recuperação

D

D (bra)

Moratória

 

RATINGS MOODY’S

 
GLOBAIS NACIONAIS

GRAU (RATINGS GLOBAIS)

Aaa

Aaa.br Investimento Elevado
Aa1 Aaa.br

Investimento Elevado

Aa2

Aaa.br Investimento Elevado
Aa3 Aaa.br

Investimento Elevado

A1

Aaa.br Investimento Médio/Elevado
A2 Aaa.br

Investimento Médio/Elevado

A3

Aaa.br Investimento Médio/Elevado
Baa1 Aaa.br

Investimento Médio/Baixo

Baa2

Aaa.br Investimento Médio/Baixo
Baa3 Aaa.br

Investimento Médio/Baixo

Ba1

Aaa.br Especulativo
Ba2 Aa1.br a Aa3.br

Especulativo

Ba3

A1.br a A3.br Especulativo
B1 Baa1.br a Baa3.br

Altamente Especulativo

B2

Ba1.br a Ba2.br Altamente Especulativo
B3 Ba3.br a B2.br

Altamente Especulativo

Caa1

B3.br a Caa1.br Risco Substancial
Caa2 .br

Extretamente Especulativo

Caa3

Caa3.br Moratória c chances de recuperação
Ca Ca.br

Moratória c chances de recuperação

C

C.br

Moratória

       

 

UTILIZANDO OS RATINGS PARA MEDIR O RISCO DE CRÉDITO DOS TÍTULOS DE RENDA FIXA

ENTENDA A CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DE CRÉDITO - RATINGS

Muitos investidores iniciantes não se interessam pelos ratings por acreditar que são instrumentos complexos e difíceis de utilizar. Se enganam.

A verdade é que os ratings são ferramentas fáceis de utilizar e que podem auxiliar todos nós investidores. Principalmente quando falamos do mercado de renda fixa.

A grande maioria das corretoras, ao disponibilizar títulos de renda fixa aos investidores, disponibilizam também o rating daquele título ou do seu emissor.

Vejamos como exemplo as debêntures oferecidas por um corretora qualquer na data em que escrevo esse artigo:

Ratings
Debêntures disponibilizadas pela corretora Easynvest em 10/03/2017.

E, ao analisar as listagens desses títulos, é possível verificarmos também que, em regra, os ratings influenciam diretamente na rentabilidade dos títulos! Quanto pior o rating do título ou do seu emissor, maior tende a ser a rentabilidade do mesmo. Ou seja, o risco tende a ser compensado com uma remuneração mais atraente.

Os ratings, quando utilizados com inteligênciapodem ser aliados poderosíssimos na gestão do risco de crédito dos seus investimentos de renda fixa!

Sumário
ENTENDA A CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DE CRÉDITO - RATINGS
Artigo
ENTENDA A CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DE CRÉDITO - RATINGS
Descrição
Entenda tudo sobre os ratings, que classificam o risco de crédito das instituições e dos títulos de renda fixa por elas emitidos!
Autor
Site
Guia do Milhão

4 Comentários


  1. O Brasil está sem grau de investimento de qual agência? Das três principais ou só uma delas?

    Responder

    1. Oi Felipe!
      Todas as três principais agências de risco retiraram o grau de investimento do Brasil.

      Responder

  2. Sou aluno do SM muito boa a aula do curso sobre esse assunto parabéns.

    Responder

    1. Que bom que gostou Fábio!
      Espero que esteja aproveitando o curso! 🙂

      Responder

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