COMO MEDIR O RISCO DOS INVESTIMENTOS

Três aspectos principais devem ser analisados quando se faz um investimento: a liquidez, a rentabilidade e o risco. Os dois primeiros são facilmente mensuráveis, enquanto que o último, nem tanto.

O intuito desse artigo é te apresentar uma alternativa para contornar essa dificuldade e fazer uma boa análise do risco dos ativos nos quais pretende investir: através da verificação da volatilidade de preços.

Apesar de não ser 100% certa, na maioria dos casos, a volatilidade dos preços dos ativos nos dá uma boa ideia do tamanho do risco desses ativos.

Tomemos como exemplo o mercado de ações. O valor de cada ação no mercado secundário nos permite tirar diversas conclusões no que diz respeito ao seu risco.

Ações com preços que sobem de repente ou descem vertiginosamente, tendem a ser mais arriscadas do que aquelas menos voláteis.

E o grau de volatilidade dos ativos podem ser verificados através de números ou gráficos.

Vamos ver como essa análise funciona na prática?

Para exemplificar, selecionamos três ações de três empresas de ramos diferentes, que estão entre as mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo: a PETR4 (Ações Preferenciais da Petrobrás), a BBDC4 (Ações Preferenciais do Banco Bradesco), e a ABEV3 (Ações da Ambev).

O primeiro passo é buscar o histórico das cotações dos ativos que pretendemos analisar, o que pode ser feito em diversos sites informativos. Aleatoriamente, utilizamos o da Revista Exame.

Vejamos a variação das ações preferenciais da Petrobrás (PETR4):

Como Medir o Risco dos Investimentos
Pesquisa realizada em 19/05/2016

Veja, que no período de um ano, essa ação que no momento dessa pesquisa vale R$ 9,32, já valeu R$ 13,45 (em 21//05/2015), mas também já valeu R$ 4,20 (em 16/01/2016).

É isso mesmo! Um mesmo ativo já foi precificado em um ano, mais de três vezes o seu menor preço nesse mesmo período!

Desta forma, comparando o maior e o menor preço no período, temos que esse ativo variou 220,23% (esse cálculo pode ser feito em calculadoras financeiras, planilhas, ou até mesmo no Excel).

Vejamos agora a variação das ações preferenciais do Banco Bradesco:

Como Medir o Risco dos Investimentos
Pesquisa realizada em 19/05/2016

No período de um ano, essa ação que atualmente vale R$ 25,17, teve como seu maior valor R$ 27,47 (em 12/05/2016), e como seu menor valor R$ 15,41 (em 21/01/2016).

Assim, a variação desta ação foi de 78,26%.

Por fim, vejamos a variação das ações da Ambev (ABEV3):

Como Medir o Risco dos Investimentos
Pesquisa realizada em 19/05/2016

No período de um ano, essa ação que atualmente vale R$ 18,40, teve como seu maior valor R$ 20,04 (em 05/10/2016), e como seu menor valor R$ 16,13 (em 18/01/2016).

Esse ativo, portanto, variou 24,24% no período.

Veja, que a variância mede justamente a volatilidade. Isso quer dizer que quanto maior for a variância, mais imprevisível é a flutuação do preço do ativo. Um ativo com variância muito alta, tem preços que flutuam muito e intensamente.

Essa volatilidade está intimamente ligada ao risco. Nesse período selecionado (doze meses), isto é, nesses dias escolhidos para fazermos essa análise, a PETR4 apresentou uma volatilidade maior do que as demais.

Desta forma, com base na volatilidade do preço dessas ações, podemos concluir que a ABEV3 (Ambev) é a ação aparentemente menos arriscada para se investir, seguida da BBDC4 (Preferenciais do Banco Bradesco). A PETR4 (Preferenciais da Petrobrás) se apresenta como a ação mais volátil e, portanto, menos segura.

É justamente com base nessa técnica que muitas pessoas dizem que imóveis é a opção mais segura de investimentos. Afinal, é quase impossível o preço de um imóvel variar 220% num período de 12 meses, como vimos com as ações da Petrobrás, não é mesmo?

Muito embora não seja absoluta, a análise da variância é uma técnica muito útil para medir a volatilidade e o risco, e que merece a nossa atenção.

Por fim, antes que aplique essa técnica, é importante tecermos algumas considerações:

  • O tamanho da amostra analisada faz muita diferença na hora do cálculo da volatilidade. Portanto, ela precisa ser adaptada aos objetivos do investimento.
  • Se você pretende comprar e vender ações no médio/longo prazo, é recomendável que utilize uma amostra longa na análise (superior a doze meses), priorizando a estabilidade das flutuações.
  • Por outro lado, se planeja comprar e vender no curto prazo, utilize amostras menores e procure ativos que apresentam variações maiores. Isso porque, para que você tenha ganhos no curto prazo, precisa dessas flutuações. Aqui é a situação onde há mais risco, mas também maior possibilidade de retorno num período menor de tempo.

Alguma dúvida ou comentário? Utilize a área abaixo!

5 Comentários

    1. Tiago Waterkemper

      Oi Sabrina!
      Nem sempre. Essa é a regra, mas podemos sim encontrar exceções.
      Essa técnica nos dá uma ideia, uma noção de risco, mas não uma medição absoluta. 😉

      Responder

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