PREVIDÊNCIA PRIVADA

PREVIDÊNCIA PRIVADA

Tenho recebido muitos e-mails de leitores perguntando se vale a pena aderir um plano de previdência privada.

O curioso sobre os planos de previdência privada é que, em determinadas situações, eles podem sim ser vantajosos. O problema é que, na maioria dos casos, as pessoas deixam de ganhar, ou ainda perdem dinheiro com eles.

E razão para isso é uma só: a falta de conhecimento.

Conhecimento é o melhor investimento que podemos fazer em nós mesmos. Acredite: a falta dele custa muito caro!

Justamente por essa razão escrevi esse artigo. Aqui, você vai entender tudo sobre previdência privada. Vai saber em quais situações vale a pena fazer um plano, e como fazer isso. E em quais ocasiões não vale a pena. E o mais importante: você vai entender porque isso acontece.

A IDEIA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

A previdência provada foi criada, a princípio, para complementar a aposentadoria das pessoas.

Como sabemos, a previdência social está insustentável. Cada vez mais veremos reformas na previdência retirando direitos e aumentando deveres dos contribuintes. E essas reformas, apesar de amargas, são necessárias. É a única maneira de garantir que a previdência social terá condições de continuar pagando a aposentadoria dos segurados. Ainda assim, não é aconselhável confiar o futuro exclusivamente na previdência social.

Daí então, para incentivar as pessoas a complementarem a renda da sua aposentadoria, o governo concedeu alguns incentivos fiscais para aqueles que optarem por fazer um plano de previdência privada.

E é justamente dessa forma que a previdência privada deve ser vista: como um plano de aposentadoria. Ou ainda, como um investimento de longo prazo. Até o final desse artigo, você vai entender porque.

DIFERENÇAS ENTRE PREVIDÊNCIA SOCIAL E PREVIDÊNCIA PRIVADA

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

Deve-se entender que a previdência privada nada tem a ver com a previdência social.

A começar pela sua administração. O sistema da previdência social é administrado por uma autarquia do governo federal chamada INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. Já a previdência privada é administrada por entes habilitados para operá-la, na sua maioria de direito privado.

Na previdência social, é devido um valor percentual dos rendimentos a título de contribuição. Por outro lado, nos planos de previdência privada, o valor e a periodicidade das contribuições também são facultativos. Isto é, o investidor pode escolher quanto e quando irá investir. Obviamente que, quando for fazer uso dessa previdência, receberá benefício proporcional ao que contribuiu.

Em regra, o montante contribuído à previdência social só será aproveitado quando o indivíduo preencher os requisitos legais para a aposentadoria. Já o valor investido em um plano de previdência privada pode ser resgatado a qualquer momento pelo titular.

PREVIDÊNCIA PRIVADA NÃO É SINÔNIMO DE SEGURANÇA

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

Esqueça essa ideia de que investir em um plano de previdência privada é sinônimo de segurança.

Assim como acontece com a caderneta de poupança, as pessoas tendem a ver a previdência privada como um “investimento seguro”. E esse é um dos erros mais comuns que vemos quando tratamos de previdência privada.

Um exemplo disso é que os planos de previdência privada não são cobertos pelo FGC – Fundo Garantidor de Créditos. Garantia esta que recai sobre diversos outros investimentos.

Assim, é muito importante escolher bem onde se faz o plano, pois estamos lidando com um investimento de longo prazo. E o seu retorno estará condicionado à saúde financeira da instituição administradora desse dinheiro.

É um erro fazer um plano de previdência privada simplesmente por se tratar de um “investimento seguro”.

PREVIDÊNCIA PRIVADA NÃO É SINÔNIMO DE SIMPLICIDADE

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

Da mesma forma, esqueça a ideia de que investir em previdência privada é simples.

A maioria das pessoas que colocam dinheiro na previdência privada sem saber exatamente o que está fazendo justifica que faz esse investimento por ser “seguro e simples”.

Como vimos, não é tão seguro quanto parece. E também não é tão simples.

Os bancos fazem a previdência privada parecer simples. Operam toda a parte burocrática para o investidor, e cobra taxas altíssimas para fazer isso! Mas a verdade é que a previdência privada é mais complicada e burocrática que quase todos os investimentos de renda fixa! E costumam apresentar taxas de administração mais elevadas!

PREVIDÊNCIA PRIVADA NÃO É “TUDO IGUAL”

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

Também é de extrema importância saber que os planos de previdência privada não são todos iguais! E entender essas diferenças é essencial para que se faça uma boa escolha.

No momento em que é escolhido um plano, é importante estar atento à forma de cobrança de impostos. Existem duas opções de tributação.

E preste muita atenção! Essa provavelmente é a escolha que mais influenciará nos resultados futuros da sua previdência privada.

A entidade que oferece o plano de previdência privada deve informar e instruir o cliente acerca dessas duas opções. O problema é que a grande maioria delas acabam fazendo essa escolha tão importante pelo investidor! E nem sempre é feita a melhor opção.

E isso ocorre basicamente por duas razões:

  • O vendedor não entende sobre o produto que está vendendo. Isso é muito comum. Principalmente (mas não apenas) em bancos. A maioria esmagadora dos gerentes de banco não tem nem ideia de como funciona a tributação da previdência privada. Ele está preocupado em cumprir suas metas! E não com a aposentadoria dos seus clientes!
  • O investidor não entende sobre o produto que está comprando. Como falamos no treinamento Segredos do Milhão: “se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”. Para fazer um bom negócio com a previdência privada, é essencial saber o que está fazendo! Ter conhecimento da finalidade do investimento e ter uma noção de prazo. E, claro, é necessário que se tenha conhecimento de como funcionam os planos e os regimes de tributação.

PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

São duas as modalidades, que devem ser escolhidas no momento da contratação: VGBL ou PGBL.

VGBL – VIDA GERADOR DE BENEFÍCIO LIVRE

Esse plano (VGBL) se assemelha aos investimentos de renda fixa.

Ao auferir a renda do seu trabalho, a pessoa paga o Imposto de Renda devido e, então, destina o que desejar aos investimentos. Esses investimentos podem ser de renda fixa, de renda variável ou, no caso, a previdência privada (VGBL).

Obviamente que esse dinheiro investido renderá ao longo do tempo. Quando decidir utilizar o dinheiro investido, serão devidos apenas impostos sobre esses rendimentos. Isto é, apenas o que o capital principal rendeu é que estará sujeito a tributação. E não o montante principal.

Exemplo: se o montante investido ao longo do tempo for de R$ 300 mil, e os rendimentos forem de R$ 200 mil, teremos um total de R$ 500 mil. Quando da utilização, só será devido o imposto de renda sobre os R$ 200 mil, isto é, sobre os rendimentos.

Essa opção é indicada para pessoas que têm uma renda menor.  E que, por consequente, declaram imposto de renda de forma simplificada ou não declaram.

PGBL – PLANO GERADOR DE BENEFÍCIO LIVRE

Já no PGBL, a tributação é diferenciada.

Ao auferir a renda do seu trabalho, a pessoa não precisa recolher o Imposto de Renda que recai sobre o montante que será destinado à sua previdência privada (PGBL), desde que esse valor não passe de 12% da sua renda bruta anual. Isto é, o dinheiro investido no plano de previdência privada pode ser abatido do Imposto de Renda!

Na prática, o que acontece é que tanto o seu dinheiro investido quanto o dinheiro que seria pago ao governo (imposto de renda) ficam rendendo juros compostos para a sua aposentadoria!

Todavia, quando o dinheiro for utilizado, o imposto a ser pago recairá sobre a totalidade do fundo. E não apenas sobre os rendimentos.

Exemplo: se o montante investido ao longo do tempo for de R$ 300 mil, e os rendimentos forem de R$ 200 mil, teremos um total de R$ 500 mil. Quando da utilização, será devido o imposto de renda sobre os R$ 500 mil, isto é, sobre a totalidade (principal + rendimentos).

Essa opção é indicada para pessoas que têm uma renda maior. E que, consequentemente, poderá abater o montante investido do seu Imposto de Renda.

REGIMES DE TRIBUTAÇÃO DA PREVIDÊNCIA PRIVADA

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

Desde janeiro de 2005, existem dois regimes de tributação para os planos de previdência privada. A diferença está na forma de recolher o Imposto de Renda.

Tome cuidado, pois um erro na hora de escolher pode custar milhares de reais.

REGIME PROGRESSIVO

O regime progressivo segue a tabela progressiva do Imposto de Renda, que vai da faixa de Isenção até 27,5%:

Rendimentos

Alíquota

Até R$ 1.903,98

Isento

R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65

7,5%

R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05

15%

R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68

22,5%

R$ 4.664,69 ou mais

27,5%

O regime progressivo é o mais indicado para as pessoas que efetuam projetam resgate de curto prazo. Também é o regime mais indicado para aqueles que estão perto de usufruir do benefício de aposentadoria. E também àqueles que se aposentarão com um benefício inferior à faixa de isenção da tabela.

REGIME REGRESSIVO

Já no regime regressivo, a tributação é definitiva e ocorre na fonte. Como o próprio nome sugere, suas alíquotas são regressivas, conforme rege a Lei 11.053 de 2004:

Prazo do Investimento

Alíquota

Até 2 anos

35%

2 a 4 anos

30%

4 a 6 anos

25%

6 a 8 anos

20%

8 a 10 anos

15%

Acima de 10 anos

10%

O regime de tributação regressiva é o mais indicado para as pessoas que projetam um investimento de longo prazo. Isso porque, quanto maior for o período que o dinheiro permanece investido, menor será a alíquota do Imposto de Renda.

 

PREVIDÊNCIA PRIVADA X RENDA FIXA

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

Antes de avaliarmos se vale a pena ou não investir na previdência privada, há alguns detalhes que devem ser compreendidos.

O primeiro é compararmos as taxas de administração e a rentabilidade da previdência privada com os investimentos de renda fixa.

Os planos de previdência privada costumam ter mais taxas do que os investimentos de renda fixa.

As empresas que os administram costumam cobrar três tipos de taxas dos participantes:

  • Taxa de carregamento (sobre cada contribuição);
  • Taxa de gestão (uma vez por ano);
  • Taxa de saída (no momento do resgate).

O valor dessas taxas varia de acordo com cada administradora. A taxa de carregamento costuma ser de 0% a 5%. Já a taxa de gestão, que são as mais danosas aos investidores, geralmente variam de 0,5% a 4% sobre o patrimônio acumulado no fundo a cada ano. Por fim, as taxas de saída costumam ser de 0,38% sobre valor acumulado.

Não bastasse as altas taxas cobradas, a previdência privada também costuma render menos que os investimentos de renda fixa.

Mas a incidência desse “binômio do mal” (altas taxas + baixos rendimentos) não quer dizer, necessariamente, que a previdência privada seja um investimento ruim. Pelo menos, nem todas as suas modalidades.

OS FUNDOS DE PREVIDÊNCIA

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

Por fim, também é importante saber: onde ficarão as suas contribuições até que você decida utilizá-las?

As contribuições dos investidores em previdência privada formam fundos, chamados de fundos de previdência. E cada administradora faz investimentos diversos com esses fundos de previdência.

Por se tratar de recursos necessários à sobrevivência dos investidores na aposentadoria (ao menos em tese), os fundos de previdência possuem uma peculiaridade. Eles não admitem alavancagem. Não é permitido utilizar esse tipo de técnica, que pode incrementar os ganhos, mas também incorrer em perdas.

Por isso, a maioria do capital dos fundos de previdência costumam ser investidos em títulos de crédito de renda fixa. Principalmente títulos públicos. Há também aqueles que investem uma parte (que costuma ser pequena) em renda variável e fundos de diversas naturezas.

Em suma, podemos concluir que os fundos de previdência são investidos em modalidades de investimento relativamente simples de operar. Isto é, que todos nós temos plenas condições operar!

Ora, se nós podemos fazer esses investimentos diretamente, será que precisamos pagar às administradoras desses fundos as altíssimas taxas que cobram? É de se pensar, não é?

AFINAL, PREVIDÊNCIA PRIVADA VALE A PENA?

PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?

A resposta para essa pergunta não é uma ciência exata. Por isso, esclareço que, o que escrevo nesse tópico é a minha opinião pessoal. Que utilizo nos meus investimentos, e para orientar aqueles que buscam meus conselhos.

Passo então, a responder a pergunta: investir na previdência privada vale a pena?

 Na maioria das situações, não. Mas há exceções. Explico.

Como vimos, a previdência privada:

  • É menos segura que a maioria dos investimentos de renda fixa;
  • É menos simples que a maioria dos investimentos de renda fixa;
  • Costuma ter taxas maiores que os investimentos de renda fixa;
  • Costuma ter rendimentos menores que a maioria dos investimentos de renda fixa.

Ora, qual seria então a principal vantagem de se investir em previdência privada?

A resposta é: saber aproveitar o benefício tributário para investir no longo prazo. E é só nessas situações que a previdência privada pode ser vista como um investimento a se considerar.

Para fazer investimentos de curto/médio prazo, vejo a previdência privada como inviável. Existem diversas opções de investimentos de renda fixa muito mais atrativas para esse fim.

Já para investimentos de longo prazo (acima de 10 anos), um plano PGBL, com regime regressivo de tributação, pode vir a ser interessante. Possibilita abater parte dos rendimentos do IR (até 12%). Possibilita ainda investir esse dinheiro pagando, ao final, uma alíquota de apenas 10% sobre o todo (principal + rendimentos).

Aparentemente, um investimento vantajoso. Mas, ainda assim, há de se analisar caso a caso. Elenco alguns pontos que devem ser considerados.

CONSIDERAÇÕES
  • O prazo do investimento. Como mencionado, se estiver projetando um investimento de curto/médio prazo, descarte a previdência privada. Há outras opções mais interessante. A única configuração viável de previdência privada é PGBL com regime regressivo de tributação. Ainda assim, apenas para investimentos de longo prazo. Se resolver antecipar o levantamento do dinheiro, você pode até mesmo receber menos do que contribuiu!
  • Em qual faixa da tabela do IR você se enquadra. Se você é isento, paga uma alíquota baixa, ou ainda, sua renda é proveniente de dividendos ou distribuição de lucros de empresas, por exemplo, não faz sentido pagar 10% sobre o todo.
  • A confiabilidade da administradora. Já citei que a previdência privada não é segurada pelo FGC. Seu investimento dependerá da saúde financeira da instituição que estará administrando o seu dinheiro. Por isso, selecione com cautela.
  • As taxas cobradas pela administradora. As taxas são o maior vilão da previdência privada. Muitas vezes, chegam a inviabilizar o investimento. Principalmente no caso das previdências administradas pelos grandes bancos múltiplos. Escolha uma instituição que cobre taxas justas.
  • As outras opções de investimento de longo prazo. Não deixe de avaliar outras opções de investimento disponíveis no mercado. Querendo ou não, elas (especialmente as de renda fixa) concorrem diretamente com a previdência privada.

Isto posto, cabe a você avaliar a sua situação, as suas peculiaridades, e decidir se, para você, a previdência privada é ou não interessante!

Fique a vontade para fazer perguntas ou deixar seu comentário!

 

Sumário
PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?
Artigo
PREVIDENCIA PRIVADA – VALE A PENA?
Descrição
Entenda tudo sobre previdência privada. Saiba em quais situações vale a pena fazer um plano, e como selecionar um antes de contratar. 😉
Autor
Site
Guia do Milhão

8 Comentários


  1. Tiago me assustei com as taxas
    Vou até ver que taxas tão cobrando na minha
    Parabéns pela qualidade dos posts

    Responder

    1. Verifique sim Anderson!
      E saiba que você pode a qualquer momento fazer portabilidade para outra administradora que cobra taxas menores!

      Responder

  2. Como assim não tem FGC!? Imagina pagar previdência a vida toda e quando for aposentar ela quebra!!! 😐

    Responder

  3. Acho que previdência privada não vale a pena.
    Melhor deixar o dinheiro rendendo até se aposentar.

    Responder

    1. É uma alternativa também Valdir!
      Bons investimentos de renda fixa de longo prazo podem sim render mais que previdência privada.

      Responder

  4. Tiago, existe algum investimento de renda fixa com vencimento de 30 ou 40 anos, para investir para a aposentadoria e substituir a previdência privada?

    Responder

    1. Junior, não é comum encontrar investimentos com vencimentos tão longos.
      No Tesouro Direto você pode encontrar títulos com vencimentos até 2050.
      Eu outros casos, você provavelmente terá o trabalho de recomprar novos títulos quando os anteriores vencerem.

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *