TESOURO DIRETO ATRAI MAIS JOVENS E MULHERES QUE A BOLSA

TESOURO DIRETO ATRAI MAIS JOVENS E MULHERES QUE A BOLSA

POR NATHÁLIA LARGUI PARA VALOR INVESTE

Recentemente, tanto a bolsa de valores quanto o Tesouro Direto ultrapassaram a marca de 1 milhão de investidores cadastrados. Mas segundo Felipe Paiva, diretor de relacionamentos da B3, a “sobreposição” desses dois tipos de aplicações era baixa. Ou seja, a minoria investe simultaneamente em ações e em títulos públicos. Mas então quem está aplicando seu dinheiro na bolsa e quem é o investidor do Tesouro? 

Na semana passada, o Valor Investe mostrou que a participação dos jovens no Tesouro Direto tem crescido. Os dados mais recentes do Tesouro, que são de junho, mostram que eram 193 mil pessoas de 16 a 25 anos investindo em títulos públicos, o que representa 18% do total de 1,03 milhão. Na bolsa, porém, esse número é muito menor. Pelos números mais recentes da bolsa, de maio, dos 1,1 milhão de aplicadores de ações, apenas 85,2 mil (7,5%) estão nessa faixa etária

Em compensação, os mais velhos têm presença mais forte na bolsa do que no Tesouro. O grupo de pessoas de 56 a 65 anos era, em maio, 6,3% dos investidores dos títulos públicos, já na B3 eles eram 11,7% do total no mesmo mês. 

O grupo de 26 aos 35 anos (ainda uma faixa etária jovem) é 28,2% da bolsa, e quase dez pontos percentuais a mais no Tesouro, especificamente 37,6%. Quando a idade sobe, o cenário se inverte, e a bolsa ganha importância. De 36 a 45 é 26,8% na B3 e 23,9% em títulos públicos. De 46 a 55 é 14,8% na bolsa e 10,4% do Tesouro. Já o grupo acima de 66 anos é 10,7% na bolsa e ínfimos 3,5% no Tesouro.

TESOURO DIRETO TEM ATRAÍDO MAIS JOVENS E MULHERES QUE A BOLSA

Segundo Fábio Gallo, professor de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), essa diferença é explicada basicamente pelos recursos que as pessoas de cada faixa etária tem. Os mais jovens tendem a ter menos dinheiro, não só por renda menor, mas por terem acumulado menos ao longo da vida. Eles têm, portanto, menos propensão a risco e um montante menor para distribuir. 

“Quem é mais velho tem mais recurso, mais saldo de poupança, mais dinheiro guardado ao longo da vida. Então, essa pessoa pensa em uma diversificação maior”, afirma Gallo. “Mas os jovens têm maior propensão a risco? Até podem ter, mas ele entra em uma análise da importância daquele dinheiro para ele”, explica. 

O IMPULSO MASCULINO

Outra mudança no perfil dos investidores é em relação ao gênero. Embora os homens sejam a grande maioria nos dois tipos de aplicação, na bolsa a discrepância é maior: são 78% de investidores do sexo masculino contra 22% do sexo feminino. No Tesouro, a porcentagem muda para 69% de homens contra 31% de mulheres. Segundo o IBGE, em 2018, os homens eram 48% da população e as mulheres, 52%. 

TESOURO DIRETO TEM ATRAÍDO MAIS JOVENS E MULHERES QUE A BOLSA

Segundo Fábio Gallo, essa diferença acontece porque a testosterona (principal hormônio sexual masculino) faz com que os homens tenham mais ímpeto tanto de se arriscarem, como de agir por impulso, diferente do que acontece com as mulheres. 

“Tradicionalmente o mercado começou com homens, e isso tem a ver com adrenalina, gostar do pregão, daquela dinâmica. Porém, as mulheres poderiam ter até mais sucesso na bolsa, já que do ponto de vista hormonal, elas tendem a agir com mais calma, sem impulso”, afirma.

O PESO DO PODER AQUISITIVO

Regionalmente, a distribuição dos investidores da bolsa e do Tesouro Direto tem recortes parecidos. A região Sudeste, que representava em 2016, 54% do Produto Interno Bruto (PIB) do país segundo o IBGE, é responsável por 60% dos investimentos do Tesouro e 64% na bolsa

Nordeste, por outro lado, está “subrepresentado”. Se no PIB ele é responsável por 14% do total do país, os investimentos dos nordestinos no Tesouro é de 12,5% e na bolsa, 9,8%. Segundo Gallo, isso acontece pela cautela dos investidores da região.

TESOURO DIRETO TEM ATRAÍDO MAIS JOVENS E MULHERES QUE A BOLSA


“No Nordeste, por ser uma região mais pobre, ainda há muito apelo para a caderneta de poupança. Pelo histórico de carência, as pessoas de lá querem algo muito seguro”, afirma.

No Sul e Centro-Oeste, acontece algo semelhante. A região sul é responsável por 18% do PIB. No Tesouro, ela representa 15% e na bolsa, 16%. Na Centro-Oeste, é 11% do PIB, 8,2% do Tesouro e 7,4% da bolsa. 

A região Norte é 3% do PIB, 3,7% do Tesouro e 2,37% da bolsa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *